quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Casarão de ideias: Crush e Glauber Rocha

Está cada vez mais difícil acompanhar o vocabulário dessa geração, considerando que tá cada vez mais difícil dizer quem está fora ou dentro do que chamamos de geração. Guardem a palavra "crush" vou já explicar melhor pra quem está na categoria "boiando", tanto quanto eu.



Esses dias,  o "Casarão de Ideias" promoveu o festival Glauber Rocha, com a participação especial, enquanto debatedores, da sua filha, Paloma Rocha, Tom Zé e Roberto Kahane, durante os três dias de mostra. Cheguei a conclusão que estava mais do que na hora de conhecer vida e obra desse Baiano de Vitória da Conquista. 

"Grande nome do Cinema Novo brasileiro nos anos 1960 e 1970, Glauber Rocha será homenageado durante três dias em Manaus. O evento intitulado “35 anos sem Glauber Rocha” acontece a partir da próxima segunda-feira (22), no Casarão de Ideias, localizado na Rua Monsenhor Coutinho, 275, no Centro de Manaus.
Ao todo, serão exibidos cinco filmes de longas e um curta-metragem dirigidos por Glauber Rocha. A programação ainda vai contar com debates tendo as presenças de Tom Zé, Roberto Kahane e Walter Fernandes. A convidada de honra será a filha de Glauber, Paloma Rocha." (Cine Set_Am)



Segundo minha assessora para assuntos baianísticos, Rosana, Monte Santo virou uma mega cidade turística depois da gravação de "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1963), apesar dos próprios moradores não gostarem muito do filme. 

"Pobre só tem valor com arma na mão" 
~capitão Curisco na dança do Fanonismo~


No fundo, queria saber o quão importante ele foi na antropologia e vice-versa, o que dá pra pensar a partir dos filmes, e o quanto influenciou as humanidades no geral, não só no cenário artístico. 

Antes de chegar no "Casarão das Ideias" passei na praça da saudade, estava acontecendo um outro festival, o das flores: milho cozido e pão de queijo feito na hora, recomendo. O casarão é repleto de livros interessantes sobre arte, música, teatro... além de uma infinidade de quinquilharias objetos de viagens, me lembrou o texto de Walter Benjamin sobre colecionadores... achei muito legal a proposta :) quero voltar lá mais vezes.

No primeiro dia, vimos "Pátio" e "Barravento", este último, ainda que não tenha nenhum instrumento analítico para elaborar uma crítica fílmica, vou dizer o que achei lindo:

1. As cores do filme;
2. As músicas do filme;
3. As pessoas;
4. O enredo;
5. As danças;
6. Um pitéu sentado na mesma fileira que eu! :3
7. O vestido usado do início ao fim por Luiza Maranhão <3

Barravento, 1962


Tô completamente apaixonada pela Bahia [mais] e quero conhecer onde foi filmado Barravento e arredores, simplesmente lindo! Agradecimentos à minha assessora que me avisou deste festival e está sendo intimada neste exato momento a me acompanhar nessa viagem viu?

Devido ao item seis, das sete maravilhas de ontem, estou passando condicionador no cabelo, depois de séculos, e melhorei um pouco a postura, o formato arco não funciona genti.

Obviamente, o pitéu virou crush. Vamos as palavras e as coisas:


Passado o "arrumar a coluna", vamos ao que interessa: 
Glauber Rocha fez um filme sobre a Amazônia. Chega de preguiça e vamos assistir, são 15 minutos.


Amazonas, Amazonas (1966, Glauber Rocha)

A princípio, achei decepcionante o único filme sobre o Amazonas de Glauber Rocha, ser num formato meio Globo Repórter década de 70 sabe? Minha impressão melhorou quando o cineasta Roberto Kahane deu seu parecer sobre o filme, destacando como Silvino Santos, o cineasta pioneiro, fez um filme muito melhor ao de Glauber. Passou uns quinze minutos falando entusiasmado da J. G. Araújo, da sua relação de parentesco, da high society amazonense: "Sem a J. G Araújo não haveria civilização no Amazonas", disse o herdeiro pávulo. Acrescentou também, que no período da ditadura, não houve nenhum tipo de morte no Amazonas, pois não havia tanques de guerra nas ruas. 

*

Depois de ouvir o cineasta, o filme de Glauber me pareceu até interessante, vejam que no 02:52 ele entrevista um senhor [o nome não é informado] que veio de Castanhal, estrada de ferro de Bragança, Pará, onde conta um pouco de sua vida até chegar ao Amazonas. Não é demais? Eu achei :) Não resisto, vou transcrever:

- O senhor veio da onde?
- Do estado do Pará, do Castanhal, estrada de ferro de Bragança, 1956, vim na companhia do doutor Rui pra trabalhar na estrada de Manaus - Itacoatiara, não deu certo eu voltei pra Manaus, trabalhei empregado na Usina Vitória, trabalhei uma porção de tempo na Usina Vitória, na refinaria, trabalhei em Caracaraí, trabalhei em Porto-Velho, trabalhei em Alto Rio Negro, no rio Aracá tirando piaçava, com os velho Alpino, com o doutor Ruisson, doutor Rosevelt (?) desembargador, de lá vim pra Manaus, tornei a me empregar de novo, aí tornei a trabalhar nessa estrada aí de Manaus - Itacoatiara até terminar, fui cortar juta em Manacapuru, tornei a vir trabalhar nessas estradas por aqui, e agora estou aqui nesse terreno do seu Pedro.
- E vai voltar?
- Estou com vontade de voltar em Caracaraí, agora fim desse mês que nós estamos. Agora se der certo, lá em caracaraí eu fico, agora se não der, eu volto e vou à Belém, porque meus irmãos chegaram agora aqui e eu sou o mais velho dos homens, nós somos nove herdeiros, o causo é que meu pais deixou dois terrenos pra nós, e eu sou o irmão mais velho e eles querem minha assinatura pra vender os terrenos porque nosso terreno não dá mais lavoura por aqui boa, só se for pra adubar a terra pra plantar pimenta do reino, estão com vontade pra vender para os japoneses por dois milhões, três, e querem minha assinatura, porque sem a minha assinatura eles não vendem. Aqui eu não fico porque, você tá vendo, dá um carvaozinho desse e junta com isso que não der, terra pra mim mesmo né? se eu tivesse um terreno meu, porque eu nasci e me criei nesse serviço, de roçar e de plantar maniva, fazer farinha, tudo isso eu sei fazer.
- Corta!

Voltando ao recinto, deixe todo mundo falar, forme frases simples e solte-as com calma e de um jeito simpático, a bomba vai agir naturalmente no ar sem você fazer força, acredite. Segue as palavrinhas:

Genocídio - DitaduraWaimiri-Atroari - Roger Casement - Exploração - Assassinatos - Amputação - J.G. Araújo - Silvino Santos - "Oportunista" [use outra palavra mais branda]Encomenda - Mário Vargas Llosa - O sonho do celta -  Libro Azul Británico



Com muita serenidade e coluna reta, espere o resultado sentadinha e bonitinha, o chumbo é grosso. Não volte atrás por nada no mundo e nem por um segundo, você é neta de soldados da borracha, fale. Mas mantenha o foco na circulação de informação, em outras histórias não-ditas, é necessário. Faça jus à memória de Glauber Rocha [antes do AI 5, segundo Tom Zé] e ao legado do "cinema novo" que você acabou de aprender, ainda que o crush fuja de você :/ droga! 

[fim]


ps: Rosana, não consigo responder aos comentários, não é a primeira vez. Já fiz uma errata, ao menos hehe... 






terça-feira, 9 de agosto de 2016

Saartjie Baartman [1789-1815]


~ Críticas aos queridinhos da vez: "arte" e "ciência" ~ 

"Até 1974, os restos do corpo de Saartie Baartman foram exibidos no Museu do Homem, em Paris. Em 1994, a África do Sul pediu a sua restituição à França. Em 09 de agosto de 2002, ela foi sepultada em sua terra natal [vale do rio Gamtoos, atual província do Cabo Oriental, África do Sul]"





[O filme está completo no youtube, mas só consigo postar o trailer :/]


As vinhas da ira, The grapes of wrath


"E à noite acontecia uma coisa estranha: as vinte famílias tornavam-se uma só família, os filhos de uma eram filhos das outras, de todas. A perda de um lar tornava-se uma perda coletiva, e o sonho dourado do oeste um sonho coletivo. E podia acontecer que uma criança enferma enchia de pena os corações de vinte famílias, de cem pessoas; que um parto numa tenda mantinha cem pessoas em silêncio e em expectativa durante uma noite e que a manhã seguinte encontrava cem pessoas felizes com o êxito de um parto estranho. Uma família, que uma noite era antes errara apavorada na estrada, procurava então, talvez, entre os seus parcos tesouros, algo que pudesse ser dado de presente ao recém-nascido. À noite, sentados ao redor da fogueira, os vinte eram um só. Uma guitarra surgia então de sob um cobertor e soava tristemente, e canções eram entoadas, canções populares. Os homens cantavam a letra e as mulheres cantarolavam a melodia. 

Todas as noites um mundo surgia: amizade se faziam, inimizades se estabeleciam; um mundo completo, com gabolas e covardes, com gente silenciosa, com gente humilde, com gente bondosa. Todas as noites, relações eram feitas, relações que modelavam um mundo à parte; e todas as manhãs esses mundos se desfaziam como circos ambulantes.

A princípio, as famílias titubeavam nas montagens e desmontagens desses mundos; mas gradualmente a técnica da construção de mundos tornava-se a sua técnica. Os líderes surgiam, leis se faziam e códigos eram observados. E à medida que os mundos se deslocavam para oeste mais e mais completos se tornavam, porque seus construtores já tinham adquirido mais e mais experiência."


STEINBECK, John, 1902-1968. As vinhas da ira; Tradução de Ernesto Vinhaes e Herbert Caro. São Paulo: Abril Cultural, 1982. p. 258 [O livro foi publicado em 1939, e o filme, dirigido por John Ford , em 1940]


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Santa Tereza: medo de escrever

Esqueci o que é escrever por aqui. Segundo uma doceira, pra você se tornar um profissional, você deve, assim que acordar, bater umas claras com leite fresco e açúcar todos os dias.

Será que vale o mesmo pra escrita? claro que sim!

Acordar, ler vinte-cinquenta páginas de um "livro" e escrever um parágrafo.

Ou antes de dormir, escrever um parágrafo. Porque não?

Existe muita beleza no ordinário.

Hoje estive nas ladeiras de Santa Tereza com música, bebidinha e churrasco, em uma segunda feira.

Na terra do entretenimento, isso me parece corriqueiro. É sempre um luxo, um requinte, ir além do ponto turístico, do cenário bobo e batido desse lugar. Nunca sei ao certo sobre o que estou vendo, o ouro de tolo é frequente. Estou cansada, o exotismo não é um privilégio do norte.

Demora encontrar gente-gente, sabe? É irritante!

A saber: não estou trabalhando, trata-se de licença qualquer coisa.

*

As ladeiras são lindas, escrevo porque hoje não senti medo.

Não senti medo de farda, não senti medo de polícia, não senti medo de moto, não senti medo do frisson olimpíada, não senti medo de pessoas. Simplesmente não senti medo e fiz [senti] parte da cidade. Faz tempo que não sei o que é isso. É real?

Estava com um ex morador de Santa Tereza da década de sessenta, acho.

Sentar numa praça quase à meia noite, diante de ladeiras e casinhas-luzinhas infinitas foi um prazer que não consigo descrever.

*

Saudades do que não vivi;

A morte une pessoas;

Julieta apetece o mundo, Almodovar é gênio;

Oklahoma é um Estado vermelho em 1929;

Amanhã é dia de lugar lugar favorito;

Colombo, docinhos e sentimento no mundo;

O amor acabou;

O mundo tem muita vida;

O mundo é muito grande;

A música é uma forma de oração;

Pessoas são bençãos;

Amazônia é um lugar, como qualquer um outro... use-o com moderação.





sábado, 30 de julho de 2016

M.A.R. de música

Leopoldina, cientista (1797-1826)

Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários

~cidade de beijos bonitos~

dentro, leopoldina; fora, mar de música


domingo, 24 de julho de 2016

Valda Ferreira de Souza, Lagoa Azul, 2008


Foto de Luiz Vasconcelos, 2008. Manaus, bairro Lagoa Azul, 2008


Despejo Indígena no bairro Lago Azul, Manaus AM, 2008



"Depoimento de
Valda Ferreira de Souza/Mani Silva Satere

22 anos, etnia Sateré-Mawé
Dia 24 de abril de 2008

Naquele momento (referindo-se à ação de despejo pela tropa de choque da PM na Lagoa Azul em 10 de março de 2008), não sei o que passou pela minha cabeça para enfrentar todos aqueles policiais. Primeiro porque eles chegaram agredindo a gente, sem conversar foram empurrando e batendo. Não queriam saber se eu estava com criança, se eu estava grávida, e me empurraram em cima do fogo com violência. Cortaram nossas redes. Naquele momento pensei só em ficar lá mesmo, parada lá, para ver o que eles iriam fazer com a gente.

Eles chegaram cortando os punhos das redes. Ainda minha filhinha estava deitada na rede. Eles não queriam nem saber, cortaram as redes. Ela caiu no chão e foi o momento em que eu corri para pegá-la. E foi na hora em que eu parei no meio deles, quando eles iam levando tudo. E fiquei parado lá, não sabia se eles iriam me bater. Alguns dos policiais me chutaram e me cacetaram, como aparece nas fotos. Falavam muitas coisas nos ofendendo: que "a gente não era índio", que "a gente já era civilizado", que a gente era "invasor". Está certo que a gente errou um pouco lá, por causa que o dono tinha realmente o documento da terra, estava legal, e a gente não sabia. Mas se eles chegassem lá falando que o dono da terra estava legal e que a gente saísse, a gente ia se retirar de lá. Mas não foi isso que aconteceu. Chegaram agredindo a gente e batendo mesmo. Meu marido foi espancado, o André. Ele levou um... Com a espingarda, na boca dele, que espocou. Ele foi agredido e humilharam mesmo ele, antes daquele momento. Enquanto estavam batendo no meu marido, foi a hora em que eu fiquei com meu filho parada, enquanto eles foram me empurrando e me chutando. O que eu senti foi raiva mesmo dos policiais porque que fizeram isso conosco. A única coisa que falaram: foi o governador que mandou fazer isso com a gente. O presidente da Funai falou que tinha lavado as mãos por nós. Foi isso que eu fiquei com raiva, naquele momento fiquei cega, não queria nem saber se iriam me matar ou não. Realmente eu nem pensei no meu filhinho que estava no meu braço. Hoje quando eu olho aquelas fotos, me dá tristeza e remorso por terem feito isso com meu filho. Nem pensei em mim mesmo, se eu estava grávida, esperando um filho. 

Nosso espaço aqui na Redenção é pequeno, cada vez vai crescendo as famílias. Como eu, com esse que vai nascer, já tenho quatro filhos, e o espaço aí é pequeno para eles brincarem. Minha filha brinca de bola, aí ela joga lá para baixo, não dando para pegar, porque os brancos não devolvem mais a bola. Eles implicam também com a gente. Aí não dá para ela correr, pois se correrem as crianças caem. Aí o espaço é pequeno. Estamos lutando por um espaço... Lá é bonito, grande, plano, dava para plantar e colher. E aconteceu isso.

Nós soubemos por meio dos parentes que já estavam lá há cinco anos, que já tinham sido retirados.Tinham alguns Sateré-mawé, que vieram de Maués, Kokama e Tikuna. Então nós fomos para lá. Fomos praticamente ajudá-los a conquistar um pedaço para nós. Nós soubemos por meio de outros povos que já estavam lá. 

Nós não queríamos nem nos entrometer nos problemas deles [dos sem-terra] para lá. O problema deles era um, o nosso era outro. Falam que nós fomos usados pelos sem-terra. Não, nós não fomos usados. Até mesmo porque naquele momento ninguém nos defendeu. Nós mesmos ficamos lá, nem um branco nos defendeu. Tinha gente gritando lá: "não bate nela, não, ela é índia!". Essas coisas. Eles não queriam ouvir, falaram que a gente era mentiroso, que estavam nos usando. Os policiais mesmo falavam ofendendo, que a gente não presta para nada, só prestava para ser pisado, como eles fizeram com nossos cocais, nossas flechas, que eles quebraram tudo. 

A gente tentava avisar as organizações como o CIMI. A gente tentava ligar para elas, só que elas não. A gente foi à Funai. Ele foi lá também, depois falou que no outro dia iria. Só que isso não aconteceu, ele nos abandonou, a Funai que é para nos proteger. 

Algumas comunidades Sateré-mawé procuraram nossos direitos para ter um espaço melhor, outras não, estão para o outro lado à procura de outras coisas para si próprios que atrapalham um pouco. Mas têm outras organizações que estão interessadas na gente de ver um lugar melhor. Se nosso povo Sateré-mawé fosse tão unido assim por uma terra melhor acho que a gente conseguiria, mas não está havendo isso, não.

De modo geral, o principal desafio para nós é a terra e o trabalho mesmo. Não temos como trabalhar e plantar. Se tivesse uma terra grande que desse para trabalhar, acho que dava para tirar nosso sustento, mas não tem. Só vivemos do artesanato. 

Lutamos por uma causa boa, por um lugar melhor, um lugar digno, que todo mundo merece ter. Eu queria aquele pedaço de chão para morar com meus filhos, vê-los crescer, brincando num lugar bom. Outras coisas que eles falaram é que a gente não tinha direito, porque essa terra era lá para o meio do mato. Acho que não, nós temos direito de viver uma vida boa, não somos socados no meio do mato sem termos direito a nada. Nós também estamos sendo humanos e queremos uma coisa melhor também. 

Tem pessoas que moram na aldeia e voltam... Não é a questão da divisão "cidade" e "interior". Ele mora no "interior" e tem a relação com a "cidade". Não tem diferença de "cidade" e "interior". 

São 18 organizações. Nós gostamos muito de separar. Elas se relacionam com a base, não há um corte. Os parentes da base, do "interior", se hospedam nas nossas casas. E fazemos defumação na casa inteira."

ALMEIDA; DOS SANTOS. Estigmatização e território: mapeamento situacional dos indígenas em Manaus. Manaus: PNCSA/UFAM, 2008. p. 111-3.


"O progresso não gosta de índio" - Casa de caba








Do the evolution, 2008


Foto de Luiz Vasconcelos, Manaus-AM
Ação de despejo pela tropa de choque da PM no bairro  Lagoa Azul 
em 10 de março de 2008




Do the evolution, Pearl Jam



Woo...
I´m ahead, I´m a man
I´m the first mammal to wear pants, yeah
I´m at peace with my lust
I can kill, 'cause in God I trust, yeah
It´s evolution, baby

I´m at peace, I´m the man
Buying stocks on the day of the crash
On the loose, I´m a truck
All the rollings hills, I´ll flatten ´em out yeah
It´s herd behavior, uh huh
It´s evolution, baby

Admire me, admire my home
Admire my son, he´s my clone
Yeah, yeah, yeah, yeah
This lands is mine, this land is free
I´ll do what I want, but irresponsibly
It´s evolution, baby

I´m a thief, I´m a liar
There´s my church, I sing in the choir
(Hallelujah, Hallelujah)

Admire me, admire my home
Admire my son, admire my clothes
`Couse we know, appetite for a nightly feast
Those ignorant Indians got nothin on me
Nothin´, why?
Because... It´s evolution, baby!

I am ahead, I am advanced 
I am the first mammal to make plans, yeah
I crawled the earth, but now I´m higher
2010, watch it go to fire
It´s evolution, baby
It´s evolution, baby
Do the evolution
Come on, come on, come on






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